
Por Neia Nantes |Em entrevista a Joel Silva e Stephanie Brites, candidato ao Senado defendeu novos modais de transporte e cobrou avanço da infraestrutura necessária para Mato Grosso do Sul continuar crescendo.

O crescimento econômico de Mato Grosso do Sul precisa ser acompanhado por uma transformação na infraestrutura de transporte e logística.
A avaliação é do ex-governador e candidato ao Senado Reinaldo Azambuja (PL), que colocou a retomada da ferrovia, o fortalecimento da hidrovia do Rio Paraguai e a consolidação da Rota Bioceânica entre suas prioridades caso seja eleito.
As declarações foram dadas nesta terça-feira (1º), durante entrevista ao 96 News, da Antena 1 Campo Grande 96,7 FM, conduzida pelos jornalistas Joel Silva e Stephanie Brites.
Ao responder aos apresentadores sobre os gargalos que ainda podem limitar o crescimento de Mato Grosso do Sul, Reinaldo afirmou que o Estado chegou a um patamar de produção e industrialização que exige alternativas ao transporte rodoviário.
“Não dá pro Estado crescer sem hidrovia e ferrovia. São modais importantes hoje pra um Estado que produz tanto igual ao nosso”, afirmou.
Segundo Reinaldo, Mato Grosso do Sul saiu de uma produção de aproximadamente 14 milhões de toneladas para 28 milhões em pouco mais de uma década, com perspectiva de ultrapassar 30 milhões nos próximos anos. Paralelamente, destacou, o Estado avançou na industrialização, agregando valor à produção de milho, carnes e celulose.
Ferrovia como prioridade
Respondendo a uma pergunta de Joel Silva sobre a Malha Oeste, Reinaldo foi enfático ao afirmar que pretende transformar a retomada da ferrovia em uma das bandeiras de sua atuação em Brasília.
“A Malha Oeste é uma prioridade. Eu, se eu chegar no Senado, vou lutar muito. Não dá para Mato Grosso do Sul conviver sem uma ferrovia”, declarou.
Para o ex-governador, a excessiva dependência das rodovias encarece o transporte e reduz a competitividade da produção sul-mato-grossense. A ferrovia permitiria transportar grandes volumes de minério, celulose, grãos e outros produtos a custos mais competitivos.
Rio Paraguai e menos carretas nas estradas
Durante a conversa com Joel Silva e Stephanie Brites, outro ponto colocado em discussão foi o potencial do Rio Paraguai.
Reinaldo voltou a defender intervenções que permitam ampliar a navegação e o transporte de minério produzido na região de Corumbá. Na avaliação do candidato, utilizar melhor a hidrovia significaria também retirar parte das carretas que hoje percorrem a BR-262.
Além de reduzir custos logísticos, a mudança ajudaria a diminuir o desgaste da rodovia e o impacto do tráfego pesado na região do Pantanal.
Rota Bioceânica pode mudar o mapa econômico de MS
A Rota Bioceânica também ganhou destaque na entrevista ao 96 News. Questionado pelos apresentadores sobre o impacto econômico do corredor internacional, Reinaldo afirmou que o setor privado já começou a se movimentar diante das oportunidades abertas pela ligação entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Municípios como Porto Murtinho, Jardim e Aquidauana, segundo ele, já despertam interesse para investimentos em estruturas logísticas e empreendimentos relacionados a nova rota de exportação.

Reinaldo lembrou que boa parte das exportações de Mato Grosso do Sul tem como destino o mercado asiático. Nesse cenário, a saída pelo Pacífico pode representar uma nova alternativa para aproximar a produção estadual de mercados como China, Japão, Índia e outros países da região.
“Vamos ter a ponte, mas sem o acesso”
Em resposta a Joel Silva sobre o que ainda falta para que a Rota Bioceânica se transforme efetivamente em uma realidade econômica, Reinaldo chamou atenção para um gargalo do lado brasileiro: os acessos à ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta.
“Vamos ter a ponte, mas sem o acesso do lado brasileiro. Do lado do Paraguai, o acesso já está pronto”, criticou.
O candidato também defendeu a implantação de uma aduana moderna e integrada, capaz de evitar que a burocracia na fronteira se transforme em novo gargalo para caminhões e mercadorias.
Para Reinaldo, ferrovia, hidrovia e Rota Bioceânica precisam ser tratadas como partes de uma mesma estratégia: preparar Mato Grosso do Sul para um novo ciclo de desenvolvimento.
Ao encerrar o tema durante a entrevista a Joel Silva e Stephanie Brites, o ex-governador demonstrou otimismo com o potencial econômico do Estado.
“Eu não tenho dúvida de que o Estado vai dar um grande salto no desenvolvimento econômico, gerando mais empregos e renda para todos”, afirmou.

