Projeto busca diretrizes para automatizar o monitoramento agrícola no Brasil

Compartilhe

O mapeamento de práticas e cultivos agrícolas a partir de imagens de satélite em áreas extensas como as do Brasil ainda carrega dificuldades.

Campo de produção de cevada pode ser facilmente confundido com área de trigo. Foto: Luiz Magnante

Com condições muito diferentes de solo, temperatura, regime de chuvas, entre outros fatores, bastante trabalho humano para rotulagem de dados ou interpretação visual de imagens ainda é necessário com os métodos disponíveis. Isso gera custo elevado que, muitas vezes inviabiliza, o monitoramento sistemático, com a periodicidade necessária.

De olho nesse desafio, um novo projeto da Embrapa Territorial pretende obter a um conjunto de diretrizes metodológicas baseadas em aprendizado profundo de máquinas para otimizar o mapeamento da produção agrícola no País, em especial lavouras irrigadas e cultivos de inverno.

O objetivo do trabalho não é entregar um mapeamento ou sistema completo para fazê-lo, mas disponibilizar à comunidade científica e órgãos governamentais uma base de conhecimento robusto sobre o uso de aprendizado profundo em sensoriamento remoto agrícola, identificando limites e possibilidades.

Para o trabalho, serão testados protocolos para dois cenários especialmente desafiadores no monitoramento da agricultura. O primeiro é a irrigação, recurso cujo uso vem crescendo nos últimos anos. “O mapeamento da irrigação já está sendo trabalhado em outros projetos, mas sempre com o gargalo de depender de análise visual humana em alguma etapa e de ficar restrito a determinado período de tempo. Escalar para a área e para a periodicidade necessária para os demandantes é um problema em aberto”, diz a pesquisadora Celina Maki Takemura, da Embrapa Territorial, que está à frente da iniciativa.

O segundo cenário a ser testado é o das culturas de inverno no Sul do País, tais como trigo, aveia e cevada. Elas têm aspectos visuais muito próximos, que por si só já dificultam a diferenciação em imagens. Como são cultivadas no mesmo período do ano, também não é possível diferenciá-las pelos estágios de crescimento, por exemplo. “A classificação de cereais de inverno é um problema difícil até para especialistas, dependendo do estágio de desenvolvimento das plantas. Então, para uma máquina também é um grande desafio”, explica a pesquisadora.

A previsão é que o trabalho dure 36 meses e gere: uma avaliação comparativa do desempenho de diferentes arquiteturas profundas; protocolos testados de transferência de aprendizado entre regiões, sensores e safras; diretrizes metodológicas para orientar iniciativas de mapeamento agrícola em maior escala; e bases de dados organizadas e documentadas para experimentos futuros.

A Embrapa Agricultura Digital também integra a iniciativa, e tem como parceiros o IBGE, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, a Conab e a Fundação Universidade Federal de Sergipe.

 

Fonte: Comunicação Embrapa | Vivian Chies

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *