Diretor de uma das primeiras escolas de tempo integral da capital, Márcio Beretta Cossato acompanha a evolução do modelo desde 2017; rede estadual chega a 43 mil alunos na modalidade e garante oferta nos 79 municípios.

A Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, em Campo Grande, é uma das primeiras escolas em que o ensino em tempo integral começou a escrever sua história em Mato Grosso do Sul.
A unidade recebeu o modelo em 2017 e, desde então, o diretor Márcio Beretta Cossato acompanhou de perto cada etapa dessa evolução. “Nós acompanhamos toda a evolução. E hoje falar de tempo integral é falar de inovação tecnológica, inovação no ensino, porque realmente percebemos que há um investimento, um governo presente, que nos auxilia em tudo, que proporciona uma educação melhor, em tecnologia, em salário. Os professores da rede estadual recebem os melhores salários. É muito positivo, é muito gratificante fazer parte dessa história”, afirma.

Para o diretor, o modelo vai além da formação acadêmica. “O aluno da escola de tempo integral se sente pertencente àquela unidade escolar, porque é uma escola que vai além da formação acadêmica, é uma formação para a vida. O aluno fica sete horas conosco, passa boa parte do dia. Há uma aceitação da comunidade escolar, o aluno gosta de estar na escola de tempo integral porque é uma escola que faz história, em que ele consegue perceber toda essa evolução acadêmica. O ensino em tempo integral dá uma boa base para que ele possa continuar na universidade, ter uma boa nota no Enem”, destaca.
Ao lado dos profissionais da educação de todo o estado, o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, reafirmou o compromisso com a área. “Não vou abrir mão de dar educação de qualidade”, garantiu. A proposta para a próxima gestão é ampliar a oferta do ensino fundamental em tempo integral, dentro do que se entende como qualidade de ensino e educação integral para todos os estudantes.
A escolha de cada escola que passa a oferecer o tempo integral é feita a partir de análise técnica e da adesão da comunidade. O coordenador geral de planejamento da Secretaria de Estado de Educação, Alcilei Lopes da Silva, explica o processo. “O primeiro passo é identificar as escolas que têm potencial para se transformar em tempo integral. O segundo, é verificar se aqueles alunos vão ter adesão. Muitas vezes a escola tem perfil para o fundamental de tempo integral, então analisamos se temos condição estrutural para converter a escola parcial para integral. Depois de toda a análise de infraestrutura e de adesão da população, abrimos as matrículas e vamos transformando a escola por etapa e por modalidade”, detalha.

O coordenador lembra que o modelo combina escolarização e atividades complementares. “O governo federal entende como tempo integral as escolas com 35 horas semanais de escolarização. Muita gente acha que de manhã vai ter aula e à tarde vai ter esporte, não. A escola de tempo integral tem uma jornada de escolarização, e a partir dela entramos com a atividade complementar. As escolas de tempo integral também vêm mostrando melhores resultados de proficiência em língua portuguesa e matemática, muitas vezes melhores do que as de tempo parcial”, afirma.
O que começou em uma escola se espalhou por todo o estado. O secretário de Estado de Educação, Hélio Daher, resume o panorama. “Hoje universalizamos a oferta de tempo integral. Todo mundo município mato-grossense tem alguma escola nossa oferecendo o tempo integral, tanto no ensino médio como já caminhamos no ensino fundamental. Temos 60% das nossas escolas no estado todo oferecendo o tempo integral, um dado incrível para a nossa rede. Oferecemos três refeições por dia, e nas escolas do campo, que são integrais, são quatro refeições por dia. É um acolhimento, uma estrutura adequada. Setenta por cento das escolas foram reformadas, principalmente as de tempo integral”, detalha.
Os números confirmam a dimensão do programa. São 190 mil estudantes matriculados na Rede Estadual de Ensino, sendo 43 mil no ensino de tempo integral, distribuídos em 352 unidades escolares presentes em todos os 79 municípios. A rede conta com pouco mais de 30 mil servidores, sendo cerca de 17 mil professores em sala de aula.
O avanço está associado a um investimento de R$ 1,2 bilhão em reformas e equipagem da rede estadual entre 2023 e 2026, com 240 unidades que já receberam intervenções, uma média de uma reforma entregue a cada seis dias.

O resultado do modelo contribui com os indicadores da educação. Entre 2022 e 2025, a aprovação no ensino fundamental subiu de 91,3% para 97%, e no ensino médio, de 82,5% para 95,2%. A reprovação caiu 62% no fundamental e 67% no ensino médio, enquanto o abandono recuou 84% nas duas etapas. O IDEB do ensino médio saiu de 4,0, em 2023, para 4,4, em 2025, o melhor resultado da série histórica do estado, e a taxa de alfabetização na idade certa saltou de 47% para 66%, rendendo a Mato Grosso do Sul o segundo lugar nacional em alfabetização em 2024.
A história do reitor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Laércio Alves de Carvalho, resume o que o investimento em educação representa. “Acredito na educação. Esse time aqui cuida das crianças que mais precisam no estado de Mato Grosso do Sul”, afirma.
O reitor destaca ainda as conquistas da gestão. “Foi neste mandato que aprovamos a paridade, e hoje técnicos, alunos e professores têm o mesmo percentual de votos para eleger o reitor. Isso é verdadeira democracia. E, se um dia perguntarem qual foi o maior legado, foi o governo, junto com a bancada federal, entregando quatro restaurantes universitários. Para muitos alunos, o restaurante universitário é a única alimentação que ele vai ter”, afirma.
Fonte: Comunicação Eduardo Riedel


