
Em Água Clara e Santa Rita do Pardo, expansão da cadeia da celulose amplia a procura por trabalhadores e coloca qualificação e permanência no emprego entre os desafios da região.

Antes de uma fábrica entrar em operação, a cadeia da celulose já começa a movimentar trabalhadores. Ela nasce em uma pequena muda, passa pelos viveiros, segue para o plantio e o manejo e chega à operação e manutenção de máquinas. Nesse percurso, surgem oportunidades para auxiliares de campo, operadores, motoristas, mecânicos, eletricistas e técnicos florestais.
Em cidades como Água Clara e Santa Rita do Pardo, onde a abertura de algumas dezenas de vagas pode alcançar diretamente muitas famílias, a expansão florestal começa a redesenhar possibilidades profissionais. O desafio, na avaliação do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, é fazer com que essas oportunidades possam ser ocupadas principalmente por quem já vive na região.
A lei que criou o Vale da Celulose, em 2025, incluiu os dois municípios entre as 12 cidades consideradas estratégicas para integrar produção florestal, indústria, infraestrutura e formação profissional.
O trabalho começa antes da fábrica
Água Clara tinha população estimada em 17,9 mil habitantes em 2025. Santa Rita do Pardo, pouco mais de sete mil. Em municípios desse porte, um curso profissionalizante, um processo seletivo ou a chegada de uma nova operação ganha uma dimensão diferente daquela observada nos grandes centros.
No ano passado, um processo seletivo anunciou 20 vagas para auxiliares de campo em Água Clara. Em setembro, outra seleção divulgou 53 oportunidades em Santa Rita do Pardo para atividades de campo, operação e qualidade.
São números modestos quando comparados aos grandes investimentos associados à indústria, mas concretos para quem procura trabalho. Uma contratação pode representar o primeiro emprego formal, a substituição de trabalhos ocasionais por uma renda regular ou a possibilidade de continuar vivendo na própria cidade.
Mato Grosso do Sul alcançou aproximadamente 1,8 milhão de hectares de florestas plantadas. Água Clara concentrava cerca de 182 mil hectares e já estava entre os principais municípios florestais do país. A expansão também avança em direção a Santa Rita do Pardo.
Nos viveiros, trabalhadores produzem e selecionam as mudas. No campo, auxiliares e operadores participam do plantio e do manejo. Mecânicos e eletricistas cuidam das máquinas, enquanto profissionais ligados à qualidade acompanham diferentes etapas da operação.
“A cadeia começa a movimentar a economia antes da inauguração de qualquer fábrica, por meio da contratação de trabalhadores, alimentação, transporte, manutenção de veículos e prestação de serviços”, afirma Riedel.
Da vaga à carreira
A abertura de postos de trabalho, porém, não resolve sozinha o desafio da estabilidade profissional.
Água Clara registrou 6.279 admissões e 6.371 desligamentos em 2025, terminando o período com saldo negativo de 92 empregos formais. Em Santa Rita do Pardo, foram 1.754 contratações e 1.755 desligamentos, praticamente um equilíbrio entre entradas e saídas.
Os dados se referem ao conjunto da economia dos dois municípios, e não exclusivamente ao setor florestal, mas revelam uma intensa circulação de trabalhadores entre empresas e atividades.
Para quem vive do salário, a continuidade no emprego interfere em decisões muito concretas: organizar as contas da casa, assumir um financiamento ou planejar o futuro dos filhos.
É nesse ponto que a qualificação passa a ter peso maior. Em um setor cada vez mais mecanizado, avançar de uma função inicial para operação, manutenção, supervisão ou atividade técnica pode ampliar as possibilidades de permanência no mercado.
“O desenvolvimento se torna mais consistente quando o trabalhador consegue começar em uma função de campo, obter formação e avançar para manutenção, operação, supervisão ou atividade técnica sem precisar deixar sua cidade”, afirma Riedel.
A circulação maior de máquinas e caminhões exige manutenção das estradas, prevenção de incêndios e fiscalização ambiental.
“A economia florestal será mais sustentável quando os ganhos econômicos forem medidos ao lado dos impactos ambientais e sociais”, afirma Riedel.
A criação do Vale da Celulose busca articular qualificação, logística, produção e sustentabilidade nos 12 municípios abrangidos pela iniciativa. No cotidiano das cidades, essa articulação tende a ser percebida de maneira bastante concreta: na condição das estradas, na existência de postos de trabalho, na prevenção de incêndios e nas oportunidades abertas para empresas locais.
Quando o emprego cria raízes
Água Clara e Santa Rita do Pardo mostram uma face da cadeia da celulose que aparece antes das fábricas. Ela começa nos viveiros, segue pelo campo e mobiliza trabalhadores, máquinas, escolas e prestadores de serviço.
Para Rodrigo Bastos, a expectativa é ampliar a presença dos próprios moradores nas vagas abertas pela expansão econômica. O objetivo, segundo ele, é preparar trabalhadores para aproveitar essas oportunidades e construir carreiras à medida que as atividades industriais avancem.
Riedel também associa esse processo à redução da rotatividade e à possibilidade de progressão profissional.
“Não basta abrir uma seleção em determinado mês. É preciso construir carreiras, reduzir a rotatividade e permitir que o trabalhador avance de uma função inicial para atividades mais qualificadas”, afirma.
Em uma região onde o eucalipto já altera a paisagem, a dimensão social desse crescimento passa pela capacidade de fazer a oportunidade permanecer. Isso significa trabalhadores que conseguem continuar empregados, jovens que encontram uma profissão perto de casa, mulheres ocupando novos espaços e pequenos negócios atendendo às demandas da cadeia.
A floresta pode começar em uma muda. Para quem vive nesses municípios, porém, o resultado mais próximo será medido pela possibilidade de transformar emprego em trajetória, qualificação em renda e crescimento econômico em perspectivas de futuro.
Fonte: Assessoria Eduardo Riedel

