
Estado ampliou produção, empregos e rendimento médio, mas desigualdade, custos elevados e dificuldades dos pequenos negócios mostram que o próximo ciclo de desenvolvimento precisa chegar com mais força ao orçamento doméstico.

Entre o trabalho em um hospital, os cuidados com dois filhos atípicos e a administração de um brechó de roupas femininas no bairro José Abrão, em Campo Grande, Graciela Miranda tenta construir uma nova fonte de renda e, ao mesmo tempo, um projeto de futuro.
“Me desdobro entre mãe, servidora e empreendedora para dar todo o suporte que meus filhos precisam”, resume.
O brechó funciona com vendas on-line e atendimento presencial nos dias de folga. Começou como alternativa para complementar o orçamento da família, mas aos poucos se transformou em algo maior. Graciela quer ampliar o negócio, conquistar mais autonomia financeira e, se conseguir fazê-lo prosperar, criar também uma oportunidade de trabalho.
“Meu maior objetivo é fazer o brechó crescer. Quero que ele prospere, para que eu possa oferecer ainda mais qualidade de vida aos meus filhos e, no futuro, até contratar um funcionário”, afirma.
A expectativa de Graciela ajuda a dar dimensão concreta a um dos desafios colocados pelo governador Eduardo Riedel (Progressistas), no centro do próximo ciclo de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul: fazer com que o crescimento econômico se traduza em renda mais estável, melhores oportunidades profissionais e maior segurança para as famílias.
O Estado produziu mais, atraiu investimentos e ampliou o número de pessoas trabalhando. Em 2023, último resultado consolidado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Produto Interno Bruto sul-mato-grossense cresceu 13,4%, o segundo maior avanço entre os estados brasileiros. A economia chegou a R$ 184,4 bilhões, impulsionada pela agropecuária, pela indústria e pelos serviços.
O desafio seguinte aparece longe das grandes tabelas econômicas e mais perto da vida cotidiana: quanto desse crescimento chega ao salário de quem trabalha, ao orçamento de quem paga aluguel e compra alimentos ou ao caixa de quem tenta manter um pequeno negócio funcionando?
“Crescer continua sendo necessário. Sem atividade econômica e investimento, não há novos empregos nem receita para financiar serviços públicos. Mas o crescimento precisa ser transformado em salário melhor, qualificação, crédito acessível, apoio ao pequeno negócio e serviços públicos que reduzam as despesas familiares”, afirma Riedel, candidato à reeleição.
Quando o crescimento chega ao pequeno negócio
Para quem mantém uma lanchonete, um salão de beleza, uma loja ou presta serviços no próprio bairro, crescimento econômico só se torna palpável quando aparece no movimento do caixa.

Vender mais é apenas uma parte da equação. É preciso pagar aluguel, energia, fornecedores, parcelas e despesas domésticas, além de conseguir formar alguma reserva para atravessar períodos de menor movimento.
No caso de Graciela, empreender ainda precisa caber em uma rotina marcada pelo cuidado familiar. O brechó representa a possibilidade de aumentar a renda e construir mais independência sem deixar de oferecer aos filhos o suporte de que necessitam.
Essa realidade também ajuda a compreender a presença crescente das mulheres no empreendedorismo sul-mato-grossense. Em 2025, elas representavam 36,9% das pessoas à frente de negócios no Estado, acima da média nacional de 33,9%. No mesmo ano, o Sebrae Delas iniciou um novo ciclo de acompanhamento e formação voltado às empreendedoras.
O percentual mostra a participação feminina na economia, mas não revela quantos desses negócios conseguem sobreviver, aumentar o faturamento e produzir renda estável.
Parte dos empreendimentos surge de uma oportunidade identificada no mercado. Outra parcela nasce da necessidade de complementar salários, enfrentar o desemprego ou encontrar uma forma de conciliar trabalho e responsabilidades familiares.
Mesmo quando as vendas aumentam, os obstáculos permanecem. Custos elevados podem consumir parte do faturamento. Um negócio pode sustentar uma família e ainda assim não permitir a formação de reserva financeira. Há também dificuldades para conseguir crédito, contratar trabalhadores, alcançar novos mercados ou aprimorar a gestão.
“Por isso, o apoio ao pequeno negócio não pode se limitar à abertura de CNPJ ou a cursos isolados. Precisa envolver gestão, crédito, acesso ao mercado, compras públicas, simplificação e orientação continuada”, defende Riedel.
Mais pessoas trabalhando e renda maior
O mercado de trabalho apresenta outro lado dessa transformação.
Em 2025, Mato Grosso do Sul chegou a 1,46 milhão de pessoas ocupadas, crescimento de 4% em relação ao ano anterior. O rendimento médio dos trabalhadores alcançou R$ 3.727, o sétimo maior do país, e a massa mensal de renda chegou a R$ 6,75 bilhões.
O rendimento domiciliar nominal por habitante ficou em R$ 2.454, acima da média brasileira de R$ 2.316. O indicador, entretanto, não significa que cada morador receba esse valor. A média reúne famílias em condições econômicas bastante diferentes.
Essa distância entre os diferentes grupos também aparece no índice de Gini, utilizado para medir a desigualdade. O indicador permaneceu praticamente estável, passando de 0,454 em 2024 para 0,457 em 2025.

Os números não eliminam o avanço do emprego e da renda, mas mostram que os efeitos desse crescimento continuam chegando de maneira desigual à população.
A diferença também é perceptível entre homens e mulheres. Enquanto o rendimento médio masculino era de R$ 4.127, entre as mulheres ficava em R$ 3.210 — uma distância aproximada de R$ 900 por mês.
Para o economista Francis Régis Gonçalves, doutor em Desenvolvimento Regional, Mato Grosso do Sul avançou em crescimento econômico, geração de empregos, salários médios e qualificação, mas ainda precisa converter esses resultados em oportunidades profissionais melhores e qualidade de vida.
Segundo ele, transformar crescimento em desenvolvimento exige gerar empregos mais qualificados e com salários mais atrativos, além de ampliar linhas subsidiadas de financiamento para atividades empreendedoras e inovadoras.
O processo também passa pela diversificação da economia em direção a indústrias e serviços de maior complexidade, pelo fortalecimento da participação social nas decisões públicas e por investimentos em infraestrutura e em setores produtivos capazes de resistir às mudanças climáticas.
“A aptidão estadual às atividades vinculadas ao agronegócio representa uma janela de oportunidades, mas não deve se restringir a ela”, observa.
Do grande investimento à economia do bairro
A discussão sobre a próxima etapa do desenvolvimento não significa abandonar a atração de indústrias, os investimentos em infraestrutura ou a agregação de valor à produção agropecuária.
Essas atividades podem sustentar empregos mais qualificados, ampliar a demanda por serviços, movimentar o comércio e aumentar a arrecadação pública.
“O desafio é fazer esse dinamismo se espalhar pelo território e alcançar diferentes grupos sociais”, afirma Riedel.
Nesse desenho, a industrialização precisa caminhar ao lado da formação profissional. Novos empreendimentos precisam preparar e contratar trabalhadores locais, enquanto a expansão econômica das cidades deve também abrir espaço para quem vende alimentos, presta serviços ou mantém uma pequena loja.
É nesse ponto que Riedel posiciona o próximo ciclo de seu projeto político: preservar o ambiente econômico que permitiu a expansão do Estado e ampliar instrumentos capazes de transformar crescimento em renda, autonomia e segurança para as famílias.
Entre as iniciativas em andamento está o Cidade Empreendedora, executado pelo Sebrae em parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, e com as prefeituras.
O ciclo iniciado em 2025 alcança 36 municípios e segue até 2028, com ações de qualificação, compras públicas, simplificação de procedimentos e atendimento aos empresários.
A dimensão territorial dessa política ganha importância porque o crescimento não produz os mesmos efeitos em todas as cidades.
Alguns municípios recebem grandes indústrias e passam a conviver simultaneamente com novas vagas de trabalho, maior circulação de dinheiro e pressão sobre moradia e serviços públicos. Em outras localidades, comércio, prestação de serviços e agricultura familiar continuam sendo as principais portas de entrada para a renda.
“A política pública precisa reconhecer essas diferenças e fazer o dinheiro movimentado pelo crescimento permanecer nas comunidades”, afirma Riedel.

O que muda na vida das famílias
Medir essa nova etapa exige ir além do volume produzido pela economia.
Sejá necessário acompanhar quantos negócios continuam abertos, quantos conseguem ampliar o faturamento, quantas mulheres passam a contratar funcionários e quantos empreendedores têm acesso ao crédito sem comprometer a renda familiar.
No mercado de trabalho, o desafio também está na qualidade das oportunidades criadas. Mato Grosso do Sul já possui uma das menores taxas de desocupação do país. O avanço seguinte dependerá da remuneração das vagas, da qualificação dos trabalhadores e das possibilidades de progressão profissional.
Para mulheres como Graciela, porém, esses indicadores ganham uma medida muito mais simples: conseguir vender com regularidade, pagar as contas sem depender permanentemente do crédito e chegar ao mês seguinte com alguma segurança.
“É nesse ponto que o desenvolvimento deixa de ser um número distante. Ele passa a ser percebido quando o trabalho permite viver melhor, o empreendimento atravessa os períodos difíceis e o crescimento do Estado também aparece no orçamento da família”, afirma Riedel.
Mato Grosso do Sul já demonstrou capacidade para produzir, gerar empregos e atrair investimentos. O desafio apresentado para a etapa seguinte é fazer com que essa riqueza circule mais, alcance diferentes grupos e permaneça nas cidades onde é produzida.
Para Graciela, essa discussão econômica termina novamente onde começou: no brechó que administra nos intervalos de uma rotina dividida entre trabalho e família. Fazer o negócio prosperar significaria melhorar a qualidade de vida dos filhos e, no futuro, talvez criar também uma vaga de trabalho.
É nesse encontro entre os grandes números da economia e uma pequena empresa de bairro que o crescimento deixa de caber apenas nas estatísticas e passa a ser percebido na vida cotidiana.
Fonte: Assessoria Eduardo Riedel

