Cooperativismo ganha espaço na economia e Riedel aposta na agroindustrialização para novo ciclo de crescimento

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Setor já reúne 617 mil associados, responde por 18,23% do PIB estadual e busca ampliar processamento de alimentos e matérias-primas com geração de empregos e distribuição de renda.

Foto: Saul Schramm

Com 617 mil associados e participação de 18,23% no PIB estadual, o cooperativismo ganhou peso na economia de Mato Grosso do Sul. Eduardo Riedel assinou compromisso com o setor para ampliar a agroindustrialização e agregar valor à produção local. A estratégia inclui o fortalecimento do Procoop, que incentivou mais de R$ 3 bilhões em investimentos nos últimos três anos, além da atração de cooperativas e da expansão de cadeias como leite, aves, peixes, suínos, algodão e grãos.

Quando Celso Ramos Regis olha para os últimos quatro anos do cooperativismo em Mato Grosso do Sul, a mudança pode ser medida em números, mas também no espaço conquistado pelo setor dentro da economia estadual. Em 2022, as cooperativas respondiam por algo entre 10% e 12% do Produto Interno Bruto (PIB). No fim do ano passado, essa participação havia chegado a 18,23%.

“O Governo Riedel, nos últimos quatro anos, cumpriu o combinado com o cooperativismo. O crescimento foi extraordinário”, afirmou o presidente do Sistema OCB/MS.

Por trás desse avanço está uma estrutura que alcança diretamente milhares de famílias. Mato Grosso do Sul possui 145 cooperativas filiadas ao sistema, com 617 mil associados e 17,1 mil colaboradores. Juntas, elas acumulam R$ 38,57 bilhões em ativos e movimentam R$ 3,03 bilhões em ingressos e receitas brutas. Somente salários e encargos representam R$ 1,4 bilhão por ano, segundo o Panorama 2026.

Foto: Saul Schramm

É esse crescimento que o Governo do Estado pretende levar agora a uma nova etapa: fazer com que uma parcela cada vez maior do que é produzido em Mato Grosso do Sul também seja processada dentro do próprio território.

Nesta terça-feira (1º), o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, assinou na Casa do Cooperativismo um Termo de Compromisso com as principais pautas apresentadas pelo setor para os próximos quatro anos. No centro do documento está justamente a agroindustrialização das cadeias produtivas.

“É um orgulho estar aqui e saber que um documento robusto e importante vai nos guiar em termos de política pública no Governo do Estado”, afirmou Riedel.

Para o governador, o cooperativismo tem uma característica que amplia sua importância para além dos indicadores tradicionais da economia.

“Os diferentes grupos econômicos e cooperativos têm importância para Mato Grosso do Sul não só na geração de emprego e renda, mas principalmente na distribuição de riqueza dentro do Estado”, disse.

Da produção de matéria-prima ao produto acabado

O novo ciclo defendido pelo setor e incorporado ao compromisso firmado com o Governo parte de uma mudança de lógica: ampliar o processamento local daquilo que Mato Grosso do Sul já produz.

A proposta inclui cadeias como peixes, aves e leite, além do fortalecimento da suinocultura, da avicultura e dos pequenos produtores. Também estão no horizonte investimentos ligados ao processamento de soja e outros grãos e à fiação de algodão.

Foto: Saul Schramm

Na prática, a estratégia busca reduzir a dependência de uma economia baseada principalmente na venda de produtos primários e aumentar a presença de mercadorias industrializadas e de maior valor agregado.

Quando a transformação acontece dentro do Estado, uma parcela maior da riqueza gerada pela produção permanece em Mato Grosso do Sul na forma de empregos, salários, serviços, fornecedores e arrecadação.

Essa estratégia encontra no cooperativismo uma estrutura já disseminada pelo território e capaz de reunir produtores de diferentes portes.

Um dos instrumentos usados pelo Governo estadual para estimular esse movimento é o Procoop (Programa Estadual de Desenvolvimento e Fortalecimento do Cooperativismo em Mato Grosso do Sul), criado para melhorar o ambiente de negócios, apoiar a governança das cooperativas e facilitar o acesso ao crédito.

O programa também permite a utilização de instrumentos como o FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste).

Nos últimos três anos, mais de R$ 3 bilhões em investimentos chegaram a Mato Grosso do Sul incentivados pelo Procoop. Em 2024, foram R$ 2 bilhões, associados à geração de 2 mil empregos. Em 2025, outros R$ 1,1 bilhão foram registrados, principalmente com a chegada de cooperativas paranaenses ao Estado.

Atrair cooperativas e ampliar quem já produz

O secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Arthur Falcette, avalia que a expansão está diretamente relacionada à criação de condições para que novas cooperativas se instalem e as já existentes ampliem suas operações.

“O Estado tem recebido investimentos de grandes cooperativas, especialmente do Paraná, e isso é fruto da parceria do Sistema OCB com o Governo”, afirmou.

Foto: Saul Schramm

Segundo Falcette, o compromisso assinado por Riedel dá continuidade a essa estratégia.

“O termo que o governador assina hoje só reforça o trabalho das políticas públicas e a valorização dessa forma de organização e de gestão. O Estado tem criado condições para que essas cooperativas se desenvolvam e ampliem sua base produtiva aqui”, disse.

A tentativa de atrair novos empreendimentos também passa pelo MS Day Cop, realizado pela primeira vez no ano passado e com nova edição prevista para 2026. O evento apresenta a potenciais investidores as vantagens econômicas e logísticas de Mato Grosso do Sul, buscando tanto a instalação de novas cooperativas quanto novos investimentos das organizações que já atuam no Estado.

Para Celso Ramos Regis, a expansão registrada até aqui mostra que existe espaço para uma segunda etapa do desenvolvimento cooperativista. Se antes o desafio era ampliar presença e produção, agora a meta é agregar valor.

Chegar perto de um quinto do PIB estadual coloca o cooperativismo em uma posição diferente daquela que ocupava quatro anos atrás. O próximo desafio será transformar esse peso econômico em mais indústria dentro de Mato Grosso do Sul.

O compromisso firmado nesta terça-feira aponta nessa direção: aproveitar uma rede que já reúne 617 mil associados para fazer com que aquilo que nasce no campo atravesse também as linhas de processamento e industrialização dentro do Estado — mantendo uma parcela maior dos empregos, da renda e da riqueza junto às comunidades onde essa produção começa.

 

Fonte: Assessoria de comunicação

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