A Ponte Bioceânica estabelecerá um novo padrão para a gestão inteligente de infraestruturas no Paraguai.

A integração de sensores inteligentes, gêmeos digitais e uma plataforma de dados centralizada permitirá o monitoramento em tempo real do comportamento da estrutura, a antecipação de intervenções de manutenção e o aumento da segurança operacional deste projeto estratégico.
Essas soluções foram apresentadas pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), por meio do Consórcio JYI (PROSUL, INTEC e INEXA), durante a conferência “Monitoramento Estrutural, Gêmeos Digitais e Gestão Centralizada de Dados como ferramenta para a exploração e manutenção preditiva de estruturas: aplicação à Ponte Bioceânica”, onde foram apresentadas as tecnologias que serão implementadas para a gestão inteligente de uma das infraestruturas mais emblemáticas do país.

A atividade, realizada nesta terça-feira no Centro Paraguaio de Engenheiros (CPI), reuniu profissionais, representantes do setor de engenharia, autoridades e especialistas, que puderam conhecer o funcionamento de sistemas de monitoramento estrutural, gêmeos digitais e gestão centralizada de dados, ferramentas que permitirão a avaliação em tempo real do comportamento da ponte e a otimização da tomada de decisões ao longo de sua vida útil.
Tecnologia para antecipar
Durante a apresentação, o Dr. Guillermo Capellán, projetista inicial responsável pelo projeto executivo da ponte junto ao Consórcio (PROSUL, INTEC e INEXA), explicou que o sistema consistirá em uma rede de sensores capaz de fornecer informações permanentes sobre o estado da estrutura.

“Os elementos-chave são os acelerômetros, que serão instalados em todos os cabos e também em parte do tabuleiro, pois nos permitirão estabelecer uma relação muito direta entre o estado da ponte e os dados obtidos”, disse ele.
Ele acrescentou que o sistema também incorporará estações meteorológicas para registrar variáveis como velocidade do vento e temperatura, além de inclinômetros instalados nos mastros e sensores térmicos, permitindo que as tensões registradas na estrutura sejam correlacionadas com as condições ambientais.

“Se observarmos um evento específico, podemos verificar se as tensões extraordinárias registradas são devidas, por exemplo, a ventos fortes ou variações de temperatura. O gêmeo digital nos permitirá comparar esses dados com o comportamento esperado do modelo estrutural e determinar se eles correspondem às condições normais de operação”, explicou ele.
Do projeto à realidade
Por sua vez, Julio Mendoza, diretor do Consórcio JYI e responsável pelo projeto e supervisão da Ponte Bioceânica, destacou a satisfação da equipe técnica em ver um projeto se materializar, em cujo planejamento ele participou desde os estágios iniciais.

“Este é um momento muito importante para nós, pois estivemos envolvidos desde a seleção do local onde a ponte seria construída, os estudos de viabilidade, o projeto e a preparação de toda a documentação para o processo de licitação. Hoje vemos como esse projeto se torna realidade e une definitivamente o Paraguai e o Brasil”, disse ele.
Mendoza lembrou que o consórcio atuou como consultor técnico durante as fases de pré-construção, desenvolvendo os estudos e projetos necessários para que as construtoras pudessem posteriormente participar do processo licitatório.

“Realizamos toda essa preparação em meio à pandemia, então ver o progresso do trabalho hoje representa uma enorme satisfação para toda a equipe que participou do seu desenvolvimento”, afirmou.
O evento também proporcionou uma oportunidade para aprender sobre o potencial das tecnologias de monitoramento contínuo e manutenção preditiva para prolongar a vida útil de grandes infraestruturas, reduzir custos operacionais e fortalecer a segurança estrutural por meio do uso de ferramentas digitais de última geração.
A implementação desses sistemas na Ponte Bioceânica posiciona essa infraestrutura como uma referência regional na aplicação de soluções inteligentes para a gestão e conservação de obras estratégicas, incorporando inovação tecnológica desde a sua fase de operação e manutenção.
Fonte: Mopc-PY


