O cenário econômico de Campo Grande em 2026 segue marcado por um crescimento consistente, sustentado principalmente pelo setor de serviços e pelo dinamismo do mercado de trabalho.

É o que aponta a 53ª edição do Boletim Econômico, elaborado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), com dados atualizados até abril.
A estimativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do município cresça cerca de 2,5% neste ano, desempenho superior à média nacional, mesmo em um ambiente macroeconômico mais restritivo, com juros elevados e maior incerteza inflacionária. Esse contexto tem impactado especialmente setores mais dependentes de crédito, como o comércio de bens duráveis, enquanto os serviços seguem mais resilientes.
Serviços sustentam atividade e mercado de trabalho segue aquecido
Ao longo dos últimos meses, os indicadores mostram uma recuperação gradual da atividade econômica, especialmente a partir do segundo semestre de 2025. O setor de serviços mantém trajetória consistente de crescimento e continua sendo o principal motor da economia local. Já o comércio apresenta retomada mais lenta, enquanto a indústria ainda registra fragilidade, influenciada principalmente pelo desempenho negativo do segmento de refino de petróleo e biocombustíveis.

O mercado de trabalho segue como um dos principais destaques positivos da economia campo-grandense. Em março, foram gerados 1.428 empregos formais, com saldo positivo em todos os setores. No acumulado de 2026, já são 2.999 novas vagas, com forte participação da construção civil e dos serviços. O município também apresenta uma das menores taxas de desemprego entre as capitais brasileiras, de 3,1%, evidenciando um cenário de aquecimento e melhora na qualidade da ocupação.
Ao comentar o desempenho, o secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Junior, destacou a importância da diversificação econômica local “Os dados mostram que Campo Grande tem conseguido manter um crescimento consistente, mesmo diante de um cenário nacional mais desafiador. O fortalecimento do setor de serviços, aliado ao bom desempenho do mercado de trabalho, demonstra a capacidade da cidade de sustentar sua atividade econômica com base em setores mais resilientes”.
Comércio exterior e ambiente de negócios impulsionam crescimento
Além disso, Campo Grande alcançou a marca de 155.220 empresas ativas em abril de 2026, crescimento de 19,1% em relação ao início de 2025 e de mais de 50% desde 2020.
O município concentra mais de 41% das empresas de Mato Grosso do Sul, consolidando-se como principal polo econômico do Estado.
A maior parte desses negócios está concentrada no setor de serviços e é formada por micro e pequenas empresas, o que evidencia tanto a força do empreendedorismo quanto desafios relacionados à produtividade e à sustentabilidade desses empreendimentos no médio prazo.
A inflação, por sua vez, permanece controlada no acumulado anual, embora apresente pressão no curto prazo. Em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,93% no município. No acumulado de 12 meses, a inflação é de 2,66%, a menor entre as capitais brasileiras. Apesar disso, o avanço recente foi influenciado principalmente pelo aumento nos preços de alimentos e combustíveis.
No comércio exterior, Campo Grande tem registrado resultados expressivos e históricos. Apenas no primeiro trimestre de 2026, as exportações somaram US$ 191,2 milhões, crescimento de 25,67% em relação ao mesmo período do ano anterior. As importações também avançaram de forma significativa, alcançando US$ 101 milhões, puxadas principalmente pela compra de combustíveis, como o gás natural.
A corrente de comércio totalizou US$ 292,2 milhões no período, com saldo positivo de US$ 90,1 milhões, o maior já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997.
Entre os principais destinos das exportações estão Estados Unidos, China e Chile, enquanto Bolívia, China e Argentina se destacam como principais origens das importações.
Também ao avaliar esse cenário, o secretário Ademar ressaltou o papel estratégico da cidade nas relações comerciais “O avanço do comércio exterior e o crescimento do número de empresas mostram que Campo Grande segue se consolidando como um importante polo econômico regional. Esse ambiente mais dinâmico é resultado de políticas públicas que buscam melhorar o ambiente de negócios e estimular novos investimentos”.

A integração com países da América do Sul também vem ganhando relevância. As transações com nações que integram a Rota Bioceânica de Capricórnio já representam mais de 30% do comércio exterior do município.
De forma geral, os dados apontam para uma economia local que mantém trajetória de crescimento, sustentada pelo setor de serviços, pela expansão do mercado de trabalho e pelo fortalecimento das relações comerciais internacionais. Por outro lado, o cenário ainda exige atenção, especialmente diante dos efeitos dos juros elevados, das incertezas externas e das pressões inflacionárias, que podem influenciar o ritmo da atividade econômica ao longo dos próximos meses.
Fonte: Comunicação PREFCG

.gif)
