O Plano Diretor da Rota Bioceânica de Capricórnio – conjunto de diretrizes e projetos que organizam e detalham a infraestrutura, a logística, a alfândega e outros aspectos da rota de integração rodoviária entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — está avançando.

O diagnóstico realizado para orientar as ações de governança recebeu 264 propostas de soluções de entidades públicas e privadas, consultadas para desenvolver ações a serem adotadas pelos 8 governos subnacionais que compõem a Rota.
Os dados foram apresentados neste mês (5) pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, durante palestra na 1ª Jornada de Estudos Estratégicos, realizada no auditório do Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande. O evento reuniu autoridades civis e militares, pesquisadores e representantes do setor produtivo para discutir as transformações econômicas e geopolíticas que o projeto trará à região.
“Estamos no centro dessa rota e temos a oportunidade de consolidar o Estado como um hub logístico e comercial do Cone Sul. Esse é um projeto de desenvolvimento e de integração continental”, destacou Verruck.
Durante a palestra, o secretário ressaltou que a rota — que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — representa um avanço na competitividade e na atração de investimentos, fortalecendo políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à diversificação econômica. Ele lembrou que o Governo do Estado tem direcionado esforços para alinhar infraestrutura, inovação e governança territorial à nova dinâmica que o Corredor trará.

Verruck também apontou os desafios para garantir a conectividade eficiente entre o Centro-Oeste brasileiro, o Chaco paraguaio, o noroeste argentino e o norte chileno, além de ampliar a atividade econômica e o comércio intra e extrarregional.
Ponte e infraestrutura
A Ponte Internacional da Rota Bioceânica já tem mais de 80% de suas obras concluídas e tem previsão de estar pronta até o final de 2026. Além das obras físicas, os processos e questões ligadas ao desenvolvimento da maior rota de integração logística da América Latina também avançam. “O objetivo do Plano de Ação é colocar todas as seções do Corredor no mesmo nível operacional”, explicou o secretário.

Entre os projetos em desenvolvimento estão os de infraestrutura rodoviária, que permitirão a conclusão de um percurso contínuo e fluido para a Rota Bioceânica. Em paralelo, estão em andamento ações para melhoria das passagens de fronteira e a instalação de Centros de Coordenação de Fronteiras, fundamentais para a próxima etapa de implementação.
Projetos nas áreas de telecomunicações, digitalização e redes de energia também estão sendo estruturados, contribuindo para o aumento da eficiência e a redução dos custos operacionais.
A médio e longo prazo, o Corredor exigirá a criação de núcleos internos estratégicos, capazes de atender ao crescimento da demanda.
“Acreditamos que o desenvolvimento econômico local reforçará essa necessidade. É crucial analisar as oportunidades que prefeitos e governos podem gerar para impulsionar o desenvolvimento regional, especialmente no agronegócio e na logística”, acrescentou Verruck.
Turismo e integração
O secretário destacou ainda que o turismo será um dos setores mais beneficiados com a abertura da rota.Inspirado na famosa Rota 66 dos Estados Unidos, Verruck propôs a criação da ‘Rota 67’, que permitirá aos visitantes cruzar o continente de carro, unindo o Pantanal — maior área úmida do mundo — ao Deserto do Atacama, a maior área seca em altitude do planeta.
“Essa rota proporcionará uma experiência única, conectando biodiversidade, cultura e integração. Em breve será possível realizar essa viagem sem procedimentos alfandegários complexos, permitindo que os viajantes desfrutem da jornada em seus próprios veículos”, afirmou.
Outro ponto enfatizado pelo secretário foi a construção coletiva da segurança no contexto do Corredor. “Essa é uma das lógicas centrais. Se a Rota carecer de elementos que garantam a construção coletiva e o desenvolvimento dessas regiões, a iniciativa corre o risco de se tornar isolada. É essencial que todos os agentes — inclusive os de segurança — participem das decisões e percebam os benefícios diretos da integração”, destacou Verruck.
Além de Verruck, participaram do evento o professor Sandro Teixeira Moita, do Instituto Meira Mattos (ECEME), com a palestra “Cultura Estratégica – Chave para entender a incerteza global”, e o pesquisador Lúcio Flávio Suakozawa, da Rede Universitária da Rota de Integração Latino-Americana (Unirila), que abordou a geopolítica da Rota Bioceânica.

A 1ª Jornada de Estudos Estratégicos foi promovida pelo Comando Militar do Oeste (CMO), com o objetivo de fortalecer o pensamento estratégico e promover o diálogo entre os meios acadêmico, militar e governamental sobre temas ligados à defesa, integração e desenvolvimento regional.
Fonte: Semadesc-MS|Rosana Siqueira



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