Petróleo no Chaco: É viável reativar a refinaria da Petropar?

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Após o anúncio de uma empresa privada de que a perfuração do Chaco começará antes do final deste ano e que os primeiros barris de petróleo serão produzidos até 2023, surgem as perguntas: para qual refinaria o produto será levado? Será construída uma nova ou a da Petropar será reativada? Ou talvez seja melhor levá-lo para a Bolívia ou outro país estrangeiro?

Há anos se fala em petróleo no Chaco, porém, até hoje não é explorável comercialmente, entretanto, Bernard Verdu, vice-presidente da Riviera S.A., concessionária do bloco Garrapatal no Chaco, na bacia do Carandyty, comentou que começarão uma campanha de perfuração.

Os cálculos que fizeram indicam que poderão extrair, nos próximos 20 anos, um mínimo de 150 milhões de barris de petróleo, que já poderão ser 500 mil barris para o próximo ano, com a perfuração de dois poços. Tenha em mente que você só pode perfurar um por ano.

A refinaria Villa Elisa poderia ser reativada?

A engenheira industrial, Mercedes Canese, destaca que há déficit de refinarias na região, que o Paraguai é um país mediterrâneo e, além de arcar com todos os custos excedentes como qualquer país não petrolífero, além do frete para o petróleo, é conveniente minimizar os custos tanto quanto possível.

“Não é só a sobrecarga de custos, mas há preços abusivos no Paraguai, portanto, mesmo em um cenário em que não temos petróleo, é muito conveniente agregar valor nacional entrando no refino”, explica.

No entanto, no caso de reativação da refinaria da Petropar localizada em Villa Elisa e que deixou de funcionar durante o governo de Nicanor Duarte Frutos, deve-se levar em consideração um estudo socioambiental.

A refinaria foi construída em uma área pouco povoada que hoje é convertida em um local urbano. Além disso, deve haver a concordância da comunidade e passar por todas as etapas de uma avaliação socioambiental.

O profissional lembra ainda que a refinaria da Petropar já é pequena para o volume de derivados de petróleo no Paraguai.

“Acho que foi um erro (desativar a refinaria) porque a Petropar perdeu muita importância no setor, porque assim como o petróleo era refinado, também se vendia gás liquefeito, por exemplo, e só agora volta a ter postos. Não acho justificável que tenha parado, porque há muitas vantagens em refinar petróleo em nível nacional, pelo valor agregado, evita-se a ordenha”, analisou o ex-vice-ministro de Minas e Energia.

A adequação deve ser determinada com um estudo de viabilidade.

“Pensar em uma refinaria que leve em conta nosso consumo crescente e que não tenha barreiras socioambientais significativas, além de fazer um estudo socioambiental, é importante”, reitera.

Se de fato a descoberta de petróleo em nosso país for confirmada e a empresa tiver a certificação do que anuncia, “não pode ser que exportemos nosso petróleo”.

Segundo o especialista, o custo de refino não é superior a 5% e o custo de internalização inclui frete e custos alfandegários.

“Você paga para retirar e trazer de volta os derivativos, aí já temos entre 5 e 10 por cento. É muito quando falamos de hidrocarbonetos, porque o volume de consumo no Paraguai é enorme”, diz.

Se comparado aos preços atuais do petróleo, estima-se que seja de cerca de US$ 2 bilhões por ano.

Por fim, indica Canese, que o Paraguai cobraria royalties pela exploração do petróleo, caso se concretize o que a referida empresa privada anuncia.

Ele acrescenta ainda que se a Petropar conseguisse explorar seria ainda mais conveniente, pois seria como uma energia hidrelétrica que poderia ser acessada a um custo muito menor.

ABC Color

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