Empresa de Campo Grande cria políticas de trabalho voltadas às mulheres

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Por Matheus Rios|Nos últimos anos, temas historicamente pouco discutidos no ambiente corporativo como saúde menstrual, equidade de gênero e segurança no trabalho começaram a ganhar espaço nas políticas internas de empresas brasileiras.

Suely Almoas, presidente da Digix.

A mudança reflete um movimento mais amplo de revisão das práticas corporativas, especialmente em organizações com grande presença feminina no quadro de colaboradores.

Em Campo Grande, a Digix, empresa de tecnologia, tem adotado iniciativas voltadas a esse cuidado. Atualmente, a empresa conta com 759 colaboradores, 445 mulheres (58,63%) e 314 homens (41,37%), um cenário que influenciou a criação de políticas específicas para atender às necessidades das trabalhadoras.

Entre as iniciativas está a licença menstrual, implementada há três anos. A política permite que pessoas que menstruam tenham até dois dias de repouso em casos de sintomas intensos, sem necessidade de apresentar atestado médico.

Os dados internos mostram a adesão ao benefício. Em 2025, a licença menstrual foi utilizada, em média, por 66 colaboradoras a cada mês, totalizando 1.198 dias de afastamento ao longo do ano.

Para a empresa, esses números indicam um uso consciente da política, demonstrando que iniciativas como essa podem ser aplicadas de forma equilibrada no ambiente corporativo, sem impacto negativo na rotina de trabalho.

Políticas internas voltadas à segurança e inclusão

Além da licença menstrual, a Digix também implantou outras medidas voltadas à equidade de gênero, como um comitê de diversidade e inclusão e um canal de denúncias para situações de assédio moral e sexual.

A empresa também oferece licença maternidade/paternidade estendida e auxílio-creche, benefícios que buscam apoiar no cuidado com os filhos e contribuir para o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

As iniciativas fazem parte de uma estratégia mais ampla de construção de um ambiente corporativo mais seguro e inclusivo. Essas políticas, inclusive, levaram a empresa a receber dois reconhecimentos institucionais voltados à igualdade de gênero.

Em 2025, a Digix conquistou o Selo Bronze “Empresa Amiga da Mulher”, concedido pelo Governo de Mato Grosso do Sul e o Selo “Compromisso com a Igualdade de Gênero”, concedido pela Prefeitura de Campo Grande.

Presidência feminina ainda é exceção nas empresas

A presença feminina em cargos máximos de liderança ainda é limitada no país. Um estudo do Instituto Talenses Group mostra que apenas 17,4% das presidências de empresas brasileiras são ocupadas por mulheres, evidenciando que os espaços de decisão seguem predominantemente masculinos.

Contrariando essa estatística, uma das mulheres que ocupa essa posição é Suely Almoas, presidente da Digix. Para ela, a discussão sobre equidade no ambiente de trabalho precisa avançar para além do discurso.

“Quando as empresas criam políticas concretas, como canais de escuta, segurança e cuidado com a saúde das mulheres, elas contribuem para um ambiente mais equilibrado e mais produtivo para todos”, afirma.

No contexto do Dia Internacional da Mulher, iniciativas como essas mostram como práticas corporativas podem contribuir para transformar o ambiente de trabalho e ampliar o debate sobre igualdade de oportunidades e bem-estar no mercado profissional.

 

Fonte: Digix

 

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