Os engenheiros Guillermo Capellán e Santiago Guerra, da Espanha, e Mario De Miranda, da Itália, realizaram uma verificação técnica do progresso da Ponte Bioceânica, que está aproximadamente 85% concluída.

Os dois primeiros foram os idealizadores do projeto, enquanto o especialista italiano foi contratado pelo consórcio responsável pela supervisão da obra.
Representando o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), o engenheiro Félix Zelaya, assessor técnico da Unidade de Implementação do Projeto, destacou que em 2013 este projeto foi designado como componente-chave da Rota Bioceânica e que hoje, graças ao financiamento de Itaipu, sua construção está sendo finalizada. “Trata-se de uma licitação pública binacional cujo consórcio é liderado pela empresa paraguaia Tecnoedil, o que também representa um marco para a engenharia nacional”, afirmou.

Nesse sentido, Zelaya destacou que a construção dessa ponte também possibilita a formação de jovens profissionais em projetos de grande escala, o que contribuirá para o fortalecimento da capacidade técnica do país em projetos de infraestrutura altamente complexos.
Além do MOPC, participaram representantes da Itaipu Binacional e do Consórcio Binacional Paraguai-Brasil (PYBRA), empreiteira responsável pela concretização dessa infraestrutura.

Essa infraestrutura ligará as cidades de Carmelo Peralta, no departamento do Alto Paraguai, a Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, Brasil.
Design que ganha vida
Para o engenheiro espanhol Guillermo Capellán, responsável pelo projeto conceitual da ponte, a visita teve um significado especial, pois foi a primeira oportunidade de observar no local o progresso da obra que ele havia imaginado anos antes nos planos.

“É gratificante retornar depois de quase seis anos e ver que o que imaginamos no papel se transformou nesta obra de arte. Partimos de uma folha em branco para a concepção do projeto com as formas e curvas dos mastros, conferindo uma personalidade especial a esta ponte, que achávamos que deveria ser diferente”, disse ele.
Capellán explicou que a estrutura foi concebida como um grande portal entre os dois países. “Existem muitas pontes estaiadas no mundo, mas esta tem dois portais: um para o Paraguai e outro para o Brasil. A curvatura dos mastros cria a sensação de cruzar um limiar. Essa ideia estava no cerne do projeto, e é muito gratificante vê-la concretizada”, observou.

Durante a visita, os especialistas observaram o andamento das obras em ambas as margens do Rio Paraguai. Em fevereiro de 2026, a construção da ponte estava 82,58% concluída em termos físicos e financeiros, com uma taxa de conclusão estimada em 84,58% até março. A conclusão do projeto está prevista para setembro de 2026.
Atualmente, os trabalhos estão concentrados na instalação dos segmentos do tabuleiro da ponte estaiada, tanto no lado paraguaio quanto no brasileiro. Aproximadamente 70 metros do tabuleiro ainda precisam ser instalados no vão central para conectar fisicamente as duas extremidades, uma etapa que se espera ser concluída entre o final de maio e o início de junho de 2026.

Em relação ao acesso rodoviário, o trabalho inclui a limpeza, o desmatamento e a higienização da área de construção até o quilômetro 1,6, bem como o cercamento da faixa de domínio e a construção do aterro por meio de dragagem.
A segunda camada de aterro já foi concluída entre os quilômetros 3,67 e 2,9, enquanto atualmente estão em andamento os trabalhos de reposicionamento da draga e das tubulações para iniciar a dragagem adicional entre os quilômetros 1,84 e 2,9.
Fonte: Mopc-PY


