O Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) está promovendo ações de proteção do patrimônio cultural na área de influência da Ponte Bioceânica, atualmente em construção sobre o Rio Paraguai, que ligará Carmelo Peralta a Porto Murtinho (Brasil).

Essas medidas implementadas fazem parte de uma estratégia que busca integrar o desenvolvimento de infraestrutura com a preservação dos valores culturais e naturais da região do Chaco.
O especialista em patrimônio cultural Enrique Bragayrac integra a equipe técnica que apoia o projeto, com foco em arqueologia preventiva e conservação participativa.

Ele observou que a Lei nº 5621/17 sobre Patrimônio Cultural estabelece que todas as intervenções devem garantir a salvaguarda dos elementos culturais, materiais e imateriais, bem como de seu entorno imediato.
“Quando falamos de patrimônio cultural, não nos referimos apenas à arqueologia, mas também à nossa memória e à nossa identidade”, explicou.

Acrescentou que esse patrimônio inclui o patrimônio material, relacionado a objetos e sítios; o patrimônio imaterial, ligado a conhecimentos e tradições; e o patrimônio natural, associado aos ecossistemas que sustentam a vida e regulam o meio ambiente.
Bragayrac observou que a equipe possui um documento resultante de dois anos de pesquisa, compilado a partir de depoimentos de moradores locais sobre o patrimônio imaterial de Carmelo Peralta.

“Identificamos 60 plantas medicinais utilizadas pela população, porque este local, antes da ponte, era um local isolado, e o manejo de suas plantas era crucial para a sobrevivência das pessoas. A natureza ainda proporciona isso e permite a resiliência climática, e elas também fazem parte de seus meios de subsistência”, explicou.

Ele também enfatizou a importância de preservar o conhecimento tradicional diante das mudanças que um projeto dessa magnitude acarreta. “A cultura, digamos, do conhecimento e da sabedoria tradicional, é o que estamos resgatando, seus usos, épocas de colheita e, em alguns casos, como fonte de renda familiar. Por quê? Porque haverá uma mudança nas paisagens naturais, e aqui, no Chaco, sobrevivemos apenas com o conhecimento da floresta e o conhecimento de sua biodiversidade e clima”, afirmou.
Sobre a Ponte de Integração Bioceânica
A Ponte de Integração Bioceânica é uma das obras emblemáticas financiadas pela Itaipú Binacional e peça-chave da Rota Bioceânica, que conectará o Oceano Atlântico ao Pacífico.
A estrutura terá mais de 1.300 metros de extensão, com duas faixas em cada sentido e acessos complementares. A obra está atualmente com aproximadamente 82% de conclusão, com previsão de conclusão para 2026.
O projeto representa um marco na conectividade regional, impulsionando o comércio e o desenvolvimento social e econômico do Chaco paraguaio, integrando infraestrutura moderna com a preservação do patrimônio cultural e natural do país.
Fonte: Mopc-PY


