Na Assembleia Anual do BID, Simone Tebet defende reformas institucionais do Banco e incremento de capital do BID Invest, braço privado da Instituição

Compartilhe

 A ministra destacou também importância da integração regional e investimento privado para a transformação ecológica do Brasil.

Foto: Ministério do Planejamento/divulgação

A ministra Simone Tebet, acompanhada do secretário de Articulação Institucional, João Villaverde e da secretária interina de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do MPO, Viviane Vecchi, cumpriu agenda de compromissos em Santiago, capital do Chile, onde representou o Brasil na Assembleia Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID. Durante a Reunião Especial de Governadores I, no dia 28/3.

Tebet defendeu as reformas institucionais que vêm sendo implementadas pelo Banco, o incremento de capital do BID Invest, braço privado da Instituição, além da agenda de integração regional e esforços para o aumento do investimento privado para a transformação ecológica do Brasil.

O Grupo BID (BID e BID Invest) é um parceiro tradicional e relevante do Brasil na execução de projetos públicos e privados. Historicamente, o Banco é um dos maiores fornecedores de recursos externos para a implementação de projetos, programas e políticas públicas no Brasil.

A ministra destacou a importância dessa parceria “O BID tem sido um parceiro central para os países da América Latina e Caribe, ouvindo atentamente nossas demandas e trazendo soluções inovadoras e apoio técnico para desafios econômicos, sociais e ambientais: o crescimento, eliminação da miséria e promoção do desenvolvimento sustentável”, disse Tebet.

A ministra declarou que o Brasil está de acordo com a proposta do Presidente da Instituição, Ilan Goldfajn, de avançar na implementação de uma agenda que reflete as prioridades da região, com foco em resultados e promoção de reformas, tanto internas no BID quanto nos países.

Foto: Bid/divulgação

“Precisamos de um BID maior, melhor e ainda mais próximo da região”, afirmou a ministra. Tebet elencou em seguida quatro temas que, na visão brasileira, representam pontos de ampla convergência e oportunidade para o Banco. O primeiro deles é a integração regional, que segundo defende a ministra “é a melhor saída para o desenvolvimento da América Latina e para a geração de emprego e renda em nossos países”.

A integração tem potencial para reduzir os custos de vida para a população e os custos para o comércio regional.

“Estamos investindo em nossas rodovias, hidrovias, portos e aeroportos, com o objetivo de inaugurar até 2026 algumas das rotas de integração sul-americanas. A iniciativa Conexão Sul, a ser lançada pelo BID, é um passo concreto na retomada dessa agenda. Estamos honrados de ter a iniciativa do Brasil – Rotas de Integração – como um dos programas dessa iniciativa”, ressaltou a ministra.

O segundo tema abordado foi o apoio do BID às reformas institucionais do país, aportando conhecimento técnico especializado e oferecendo instrumentos financeiros para avançar agendas prioritárias, com destaque para a competitividade, melhoria do ambiente de negócios, economia sustentável e redução das desigualdades, inclusive em termos de gênero e diversidade. O novo modelo de negócios do BID Invest, cujo aumento de capital o Brasil apoia e deve subscrever, foi o terceiro ponto abordado. Esse modelo planeja tomar mais risco para aumentar as oportunidades de investimento privado, inclusive em atividades de alto impacto social como a descarbonização da economia, a conservação e restauração ambiental e a eficiência energética.

A transição para uma economia mais resiliente foi o último tema que a ministra apontou, como uma oportunidade estratégica e econômica para o Brasil e a região. O Banco será parceiro-chave do país na captação de investimento privado para a transformação ecológica do Brasil, destravando gargalos estruturais, reduzindo o custo de crédito e fomentando a proteção cambial. A crise climática se tornou evidente, como visto nas enchentes no Brasil e incêndios no Chile e na Amazônia, e demanda ação internacional conjunta. A COP30 caminha para ser uma oportunidade histórica onde o multilateralismo mostrará a sua força.

“No Brasil, trouxemos os pobres para dentro do orçamento nacional, mas ainda temos um longo caminho para a erradicação da miséria no mundo. Por isso, gostaria de lembrar também do lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, proposta do Brasil no âmbito do G20, que contou com o valioso apoio do BID, o qual gostaria de agradecer, em nome do governo brasileiro”, concluiu a ministra.

Lançamento do Programa “Conexão Sul”

Encerrando a agenda, a ministra e a delegação do MPO participaram do lançamento do programa Conexão Sul, que agregará as iniciativas do BID para infraestrutura e conectividade na América do Sul.

Foi elaborado tendo como principais pontos de partida o Programa brasileiro Rotas da Integração Sul-Americana e o foro do Consenso de Brasília. Durante o lançamento diversos países aproveitaram a ocasião para cumprimentar o Brasil pela liderança no tema, com o projeto das Rotas.

O programa do BID possui três pilares: infraestrutura física e digital; comércio; e convergência regulatória. A iniciativa deverá enfrentar os principais desafios a uma maior integração da região, contando com mobilização de recursos, cooperação técnica e conhecimento. “Em linha com o que temos discutido no âmbito regional, particularmente no Consenso de Brasília, acreditamos que o envolvimento ativo e integrado dos Bancos é essencial para o crescimento econômico, diminuição da pobreza, geração de emprego e renda, e atração do comércio e turismo regional”, disse a ministra durante o lançamento do Programa.

Ela destacou o potencial da integração para o comércio da região: “O Brasil tem 200 milhões de sul-americanos como consumidores dos nossos produtos, da mesma forma que os senhores têm 200 milhões de brasileiros como potenciais consumidores dos seus produtos. É importante lembrar que, enquanto outras regiões possuem um comércio intrarregional muito robusto, nós ainda comercializamos pouco entre vizinhos”, ponderou Tebet.

Reuniões bilaterais

Na sexta-feira (28/3) os compromissos da ministra Simone Tebet e das autoridades do Ministério do Planejamento e Orçamento que compõe a comitiva incluíram uma reunião com o Secretário Executivo da Comissão Econômica para América Latina e Caribe – Cepal, José Manuel Salazar-Xirinach e reuniões bilaterais.

Com o Ministro de Economia do Uruguai, Gabriel Oddone, a ministra conversou sobre o projeto das Rotas de Integração Sul-Americana. O secretário de Articulação Institucional, João Villaverde, afirmou que o ministro demonstrou interesse e disponibilidade em apoiar ativamente a Rota 5, bioceânica, uma das Cinco Rotas do projeto.

Oddone defendeu também como prioridade para o Uruguai uma maior conexão aérea entre Brasil e Uruguai e o avanço do projeto da hidrovia da Lagoa Mirim, “peça chave para integração dos dois países”, conforme apontou o ministro uruguaio.

A secretária interina de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento, Viviane Vecchi, e o subsecretário de Organismos Internacionais e Desenvolvimento, João Rossi, estiveram também em reuniões bilaterais com a Espanha e com o vice-ministro do Ministério da Fazenda da Colômbia, José Alejandro Herrera Lozano, com quem a secretária conversou sobre o projeto das Rotas de Integração, governança dos bancos e a importância do multilateralismo.

Houve encontro bilateral também com a vice-ministra do Canadá, Patrícia Peña, com quem a equipe discutiu uma agenda técnica e atuação de ambos os países em instituições multilaterais comuns e também sobre a COP30 e a necessidade de pensar em instrumentos inovadores para mobilizar recursos para financiar o alcance das metas de mitigação.

 

Fonte: Ministério do Planejamento

One Comment on “Na Assembleia Anual do BID, Simone Tebet defende reformas institucionais do Banco e incremento de capital do BID Invest, braço privado da Instituição”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *